O papel
Saturday, April 30th, 2005No Europarque de Santa Maria da Feira, para ver ao vivo os quatro rapazes do Gato Fedorento. Venho de lá sem saber qual é, afinal, o papel. Mas qual papel?
No Europarque de Santa Maria da Feira, para ver ao vivo os quatro rapazes do Gato Fedorento. Venho de lá sem saber qual é, afinal, o papel. Mas qual papel?
Um gajo pede um cartão de crédito e, de repente, a malta do banco, interessadíssima em ajudar, até nos liga às nove e meia… Da noite!… Para Inglaterra!!
Haja bom serviço.

Manuel Laranjeira (à direita) em 1910, com a sua amante, Augusta (sentada), e dois amigos na então denominada Rua Marquês do Pombal. A artéria de Espinho chama-se hoje Rua 11 e no canto superior esquerdo da imagem podem ver a porta de entrada daquela que foi a casa deste vosso criado durante 30 anos.
A causa
Manuel Laranjeira sentia-se um “D. Quixote de braços cruzados” perante a “força cruel da realidade, defendia ser preciso uma ‘mentira vital’ para se acreditar nalguma coisa. A causa republicana levou-o a participar, empenhadamente, na luta contra a monarquia, pelo que reagiu euforicamente à implantação da República.”
O político
“Em 1911, desdobrou-se em iniciativas, fez uma conferência, no Teatro Aliança, sobre as invasões do mar e as obras de defesa da costa [espinhense], lutou pela criação da comarca, como forma de consumar a independência face à Vila da Feira, escreveu (…) artigos sobre o assunto (…) e foi nomeado presidente da Comissão Administrativa Municipal [de Espinho], cargo que desempenhou durante poucos meses (entre Agosto e Outubro), por razões de saúde.”
A morte
O poeta, médico, escritor, filósofo & tudo suicidou-se no dia 22 de Fevereiro de 1912, aos 34 anos. No jornal “Rumo” de 30/06/1949, Roberto Fernandes escrevia assim, a propósito do fim de Laranjeira: “Uma tarde, avizinhando-se a noite, retirei-me da cabeceira da sua cama para regressar a casa. Tinham decorrido uns vinte minutos, se tanto, quando estava a jantar e alguém veio dizer-me que Manuel Laranjeira se suicidara, disparando um tiro de revólver na cabeça. Abandonei a refeição e corri apressadamente a sua casa. Quando entrei no seu quarto, onde antes conversara com ele, verifiquei a realidade da má notícia. Um fio de sangue, manchando o travesseiro, corria dum ferimento do lado direito da cabeça, um pouco abaixo da orelha. O seu corpo, reduzido a quase um esqueleto nas últimos dias em que guardava o leito, sumia-se sob as roupas, depois de morto, apenas se divisando a sua cabeça de farta cabeleira, a boca aberta como se ainda pudesse dizer a todos: “Irreverente como sempre fui, até me ri da Morte porque me antecipei a ela…”
Nota: Orlando da Silva publicou em 1992, numa edição de autor, uma interessante fotobiografia intitulada “Manuel Laranjeira: Vivências e Imagens de uma Época (1887-1912)”. Imprescindível para quem quiser conhecer ao pormenor a vida do poeta, com reproduções de documentos e fotografias de Laranjeira e das pessoas e dos sítios que nele habitavam.

Duas notas prévias: uma para dizer que, conforme prometido, cá estou para deixar umas palavras mais que justas sobre o homem; uma outra para referir que as linhas que se seguem são, quase todas (”tomos” 1 e 2), extractos do livro “A Génese de Espinho - Histórias e Postais”, da autoria de Carlos Morais Gaio. A guitarra a quem tem unhas…
O nascimento
Às 20h do dia 17 de Agosto de 1877, uma sexta-feira, nascia no lugar da Vergada, freguesia de São Martinho de Mozelos, concelho da Feira, Manuel (Fernandes) Laranjeira.
Em Espinho
Aos 22 anos, fixou residência em Espinho numa casa com o n.º 275 da Rua Bandeira Coelho (actual Rua 19). “Padecia de sífilis e preparava-se para formalizar a sua inscrição na Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Iria destacar-se como um vulto influente da cultura portuguesa e marcaria a primeira década do século, já que Espinho lhe serviu de palco para a produção intelectual e para a participação cívica.”
O homem e a obra
“Considerado como o autor que melhor encarnou a obsessão no naturalismo em encontrar a verdade sobre a sociedade portuguesa, concebida como uma entidade dotada das características psicológicas dos seus habitantes, publicava, em 1902, a peça ‘Amanhã (prólogo dramático)’, via representado, em 1905, o seu manuscrito ‘Às Feras’ e concluía, em 1907, a licenciatura com uma tese intitulada ‘A Doença da Santidade (ensaio psico-patológico sobre o misticismo de forma religiosa)’. Na sua vasta colaboração em jornais e revistas, defendia a ideia de que os suicídios célebres (Soares dos Reis, Antero de Quental, Camilo Castelo Branco) reflectiam o mal-estar colectivo, julgando necessário que alguém fosse capaz de escrever a verdade sobre Portugal.”
As tertúlias
“Numa época em que a neurose e o esgotamento se popularizavam, Laranjeira abusava do café e do tabaco, tinha insónias prolongadas e passava noites a escrever, depois das boémias e das tertúlias. Frequentador habitual do Café Chinês, rodeava-se de um grupo fiel, onde pontificavam, entre outros, o artista Amadeo de Souza-Cardozo (que frequentava a praia [de Espinho]) e um grupo de jovens influentes no meio local (…)”
“A Génese de Espinho - Histórias e Postais”
Carlos Morais Gaio
Campo das Letras, Porto, Dezembro de 1999
(págs. 381 a 392, Capítulo VI - Uma vila à Beira-mar, Os Anos de Laranjeira)
O lema do Movimento das Forças Armadas era Democratizar, Descolonizar e Desenvolver.
Ora, se já vivemos numa Democracia e já concedemos liberdade a todas as nossas colónias, eu, retoricamente, indago:
De que é que estamos à espera para passarmos à fase seguinte?
Perdido em leituras, tentando saciar a minha sede de conhecimento, dei comigo a aprender sobre a história deste nosso Portugal.
Parece que, e focando apenas nos séculos XIX e XX, tinhamos sonhos cor-de-rosa, sonhos de uma hegemonia africana, sonhos que se esfumaram em Berlim quando lá pensámos poder sonhar mais alto.
Fomos papados por Alemães, Franceses e especialmente pelos Ingleses. Ficámos-lhes com semelhante ódio que até lhes escrevemos uma canção. Apesar de tudo somos amigos.
Estávamos em crise e o Guerra Junqueiro deixou-o bem patente nas suas composições. Em Outubro de 1910 Teófilo Braga veio em ajuda e, com a implantação da República, tomou o lugar de primeiro Presidente da República chefe do Governo Provisório da República. Decididos a cortar com o passado adoptámos uma nova bandeira com um significado muito particular. Aproximadamente um ano mais tarde um “tal de” Manuel de Arriaga foi eleito o primeiro Presidente da República Portuguesa.
Anos mais tarde, em Maio de 1926, o novo estado que era Portugal viu-se vítima de um golpe militar que o atirou para um regime fascista que, em 1933, nos sufocou por completo no Estado Novo de Salazar e Marcello Caetano.
Quarenta anos mais tarde, a 25 de Abril de 1974, os Cravos foram a flor do dia em todo o país.
Subimos alto e ainda mais alto quisémos subir sem parar para pensar que uma queda seria estrondosa.
Eu, que até sou um gajo pacato e que não me costumo chatear com nada, fico profundamente incomodado quando tenho que engolir um sapo. Já sei, já sei… Com esta conversa já pareço o Al. Mas, permitam-me que me explique.
Este não é um assunto a que normalmente dê muita atenção mas, dado que tenho aqui um entalado - sapo, entenda-se -, não posso deixar de expressar o meu desagrado pelo amargo travo que se me ficou na boca.
Ora, por incompetência e incapacidade de outros lá tive que fingir que o burro sou eu e que a inabilidade é minha. Ainda tentei provar por A mais B que a razão estava do meu lado mas provada a impossibilidade de resolver hercúlea tarefa tive que desistir e adoptar outra atitude. Vendi-me. Não o teria feito não fosse o facto de a pessoa em causa estar uns degraus acima na hierarquia. Fiquei pior que estragado, até porque em nada resolveu a minha causa.
Enfim… Tentarei voltar à minha pacatez e restaurar a minha paz de espírito. Obrigado por apoiarem o meu desabafo.
Vou comer alguma coisa para ver se me livro deste sabor.
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, afirmou no Parlamento que mais de 484 mil desempregados se encontravam inscritos em Março nos centros do Instituto de Emprego e Formação Profissional, noticia o PÚBLICO. “‘É um número preocupante e que nos leva a concluir que os sinais de crise não estão ultrapassados’, afirmou Vieira da Silva.”
Este agora descobriu a pólvora…
Para grande desespero do meu amigo Ratzinger, o casamento homossexual em Espanha está a um passo de ser uma realidade.
Assim, da próxima vez que vos convidarem para um casamento em Espanha lembrem-se que pode ser ligeiramente diferente do que estão à espera. Guardem as vossas homofodias, perdão, fobias e celebrem a liberdade da vida num Estado secular.
E lembrem-se que a discriminação não é a solução. Afinal de contas, de acordo com o Cardeal Trujillo, os homossexuais são doentes que precisam de muita ajuda.
Os “Rapazes são melhores…“. Quem o diz é o Público.