O meu emprego é melhor que o teu
Sunday, July 31st, 2005A TVI meteu no ar esta noite três directos (três!) que, no conjunto, fizeram chorar as pedras da calçada, a múmia do Lenine, a Nossa Senhora dos Aflitos e o Senhor da Pedra, em Miramar.
Aquela estação de televisão juntou num só “pivot” o encerramento do nortenho “O Comércio do Porto”, a suspensão da publicação “A Capital” e o último espectáculo desse sorvedouro de dinheiro que dava pelo nome de “Ballet Gulbenkian”.
É impressionante a capacidade criativa demonstrada pelos profissionais da TVI: perante três casos de desemprego colectivo, estruturaram uma peça jornalística que incluía três directos (dois em redacções, um num palco) plenos de emoção, apelando ao lado mais sentimental e poético de cada um dos telespectadores. E não se coibiram de dizer frases como “os jornalistas não quiseram deixar de vir à Redacção, mesmo não estando escalados para serviço” ou “os bailarinos estão emocionados por ser esta a última vez que actuam juntos”.
Emoção? Isto para mim tem outro nome: chama-se desemprego. Palavra que, curiosamente, não foi nunca citada ao longo de toda a peça. Um mecânico fica desempregado, um artista ou jornalista fica emocionado. É isso? Expliquem-me lá, que eu não percebi…


