As Intermitências da Morte

“No dia seguinte ninguém morreu.” - assim começa e acaba o último romance de José Saramago, através do qual o autor nos conta a história das intermitências da morte num país em (quase) tudo semelhante a Portugal.

A partir do primeiro segundo de um determinado dia, e durante sete meses, mais nenhum ser humano morre nessa nação em que o regime político é uma monarquia constitucional. A própria rainha-mãe, que se supunha estar a dar o último suspiro, ficou com a morte suspensa durante todo esse período de tempo e nunca no mundo a expressão “nem o pai morre nem a gente almoça” terá sido mais apropriada.

Pelo meio, o desalento dos agentes funerários e das empresas seguradoras, a atitude apreensiva por parte dos médicos, o desconcerto dos proprietários dos “lares do feliz ocaso”, o aproveitamento da maphia (sim, com ph), enfim, a surpresa mal disfarçada da igreja católica.

Mas a morte foi… e voltou. Daí as “intermitências”. E… será que torna a desaparecer?

P.S. - Post dedicado ao meu camarada AD, pessoa que, sei-o eu, tem procurado descobrir a obra do nosso Prémio Nobel da Literatura.

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3 Responses to “As Intermitências da Morte”

  1. Tiago Says:

    Também quero ver se leio este. Estas narrativas davam é sempre fabulosos filmes em hollywood; a malta que fica toda cega, o desaparecimento da morte, Portugal que se separa da europa, …

    Esse AD é um iletrado pá! O gajo é só computadores, googles e que tais… No outro dia disse-lhe que ia comprar um livro, e ele perguntou-me se ainda existiam ou era eu q tava no gozo

  2. AD Says:

    Iliterado eu? Porra… Ainda há dias andava a ler 3 livros, 1 jornal por dia, umas revistas que encontrava pelo chão e até notícias na Interpet! Eu gosto tanto, tanto, tanto de ler que há dias em que, em plena ressaca literária, vou à farmácia comprar remédios só para ler as bulas. (Já agora, aquelas coisas chamam-se bulas?! Pelo menos é o que a minha mãe lhes chama.)

    Quanto aos livros do Saramago estão na wishlist para o Natal.

  3. AD Says:

    Ó AL, essa de me dedicares posts numa tentativa de me levar a escrever alguma coisa para o blog é boa!!

    “nem o pai morre nem a gente almoça”, no meu caso a expressão é outra “nem publica os rascunhos nem escreve nada novo!”