Prà frente e… pra trás?
Talvez por estarmos a atravessar a campanha para as Presidenciais, dei hoje comigo a associar ideias que, à partida, nada têm ou alguma vez tiveram a ver entre si.
Por exemplo:
Freitas do Amaral
e o Canal Viver?
Absolutamente nada, excepto talvez o facto de ambos serem poliglotas e costumarem estar rodeados de estrangeiros.
Mas o meu intelecto vai mais longe do que essa piada seca. Fazendo um zapping distraído à hora do jantar, paro no canal Viver e deparo-me com um exemplo paradigmático do bom jornalismo que se faz cá na Península. Uma rapariga de mau aspecto entrevista outra rapariga de mau aspecto, perguntando-lhe:
- Como é que achas que a mulher deve ser?
- A mulher deve ser… hum… deve ser prà frentex…
- E isso o que é? O que é isso de ser prà frentex?
- Prà frentex é… ser prà frentex é… hum… é não ser pra trás… é ser moderna!
Se Freitas se tivesse lembrado de explicar aos portugueses, na campanha para as Presidenciais de 1986, que o seu slogan “Prà Frente Portugal” era o contrário de “Pra Trás Portugal”, a lista dos nossos chefes de Estado seria certamente outra.
Mas, claro, isto sou só eu a pensar. Devo estar a sofrer o efeito soporífero de um debate televisivo entre Cavaco e Jerónimo…
GLOSSÁRIO
Amaral, Diogo Freitas do - Ex-líder do CDS, ex-candidato à Presidência da República, actual ministro dos Estrangeiros.
Prà - contracção de “pra” (”para”) com o artigo ou pronome demonstrativo “a”. Na campanha de 1986, Freitas escolheu um slogan que os seus marqueteiros não souberam escrever. Grafaram a palavra com um acento agudo e a faladura foi mais que muita…
Viver - Canal televisivo mantido a meias por Portugal e Espanha, também conhecido por canal 18 ou 26, consoante a região do país em que o habitante luso se encontre.