Ecrã azul
Tuesday, January 31st, 2006Bill Gates está em Portugal. Para assinalar o facto, as televisões têm estado a transmitir o sinal em ecrã azul.
Bill Gates está em Portugal. Para assinalar o facto, as televisões têm estado a transmitir o sinal em ecrã azul.
A RTP fez esta madrugada uma emissão especial dedicada ao 25.º aniversário do programa radiofónico de Júlio Isidro “Febre de Sábado de Manhã”. Os objectivos a atingir com a iniciativa eram nobres, principalmente se tivermos em conta que a receita do espectáculo - realizado no Pavilhão Atlântico - reverteu a favor da “Rarríssimas”, associação que apoia as crianças que padecem de doenças pouco vulgares.
Menos nobre foi a prestação de John Watts, líder dos Fischer-Z (lembram-se?), que, num concerto ao vivo e transmitido em directo por uma estação de televisão, não teve qualquer pejo em apresentar-se em playback. Eu nem sou fã do homem, mas parece-me que nada justifica essa falta de respeito pelos (tel)espectadores. Ainda por cima, apresentou-se em palco acompanhado apenas de um baterista e respondeu às perguntas de Júlio Isidro como quem está a fazer um grande frete.
John Watts estivera na noite de sexta-feira a actuar na Alemanha, partindo este domingo para a Holanda para nova apresentação ao vivo. Deu a ideia de que veio cá cumprir calendário e ganhar uns cobres… pagos por todos nós. Deprimente.

What is the answer to life, the universe and everything?
Probably because it read the classic…
Guts is arriving home late after a night out with your mates, being assaulted by your wife with a broom, and having the guts to ask: “Are you still cleaning, or are you flying somewhere?”
Balls is coming home late after a night out with the guys, smelling of perfume and beer, lipstick on your collar, slapping your wife on the bum and having the balls to say, “You’re next fatty.”
E agora para algo completamente diferente…

Chamaram-lhe Cy, diminutivo de Cyclopes. Um gato que nasceu com um só olho e sem nariz. Feliz ou infelizmente morreu passado um dia.

Um novo blog com informação actualizada sobre o acto eleitoral deste domingo.
Depois de domingo, 22 de Janeiro de 2006, as coisas podem desenrolar-se da seguinte forma:
PRIMEIRO CENÁRIO Cavaco ganha à primeira volta e, para comemorar, devora um bolo-rei inteiro em frente às câmaras da “National Geographic”. Alegre é enviado pelos socialistas para a sede do CDS como moeda de troca pelo retrato de Freitas do Amaral. Soares culpa a SIC pela derrota e vai à feira de Carcavelos comprar pantufas novas. Jerónimo adopta um discurso de vitória, conseguindo transformar o seu triste score na “maior votação de sempre, se comparada com as de qualquer período do regime fascista”. Louçã lamenta o dinheiro já gasto em gravatas. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados, esbracejando no meio de uma pequena multidão (ele e a mulher).
SEGUNDO CENÁRIO Cavaco atinge os 45% dos votos e os seus adversários 10% cada um, correspondendo os restantes 5% à abstenção forçada de funcionários da PJ escalados para a realização de escutas telefónicas. A segunda volta realiza-se, portanto, com a participação de todos os candidatos mas quem acaba por ganhar é um agricultor de Trás-os-Montes que apostara forte no Euromilhões da sexta-feira anterior.
TERCEIRO CENÁRIO Cavaco perde para Soares logo na primeira volta. O primeiro remete para o Outono de 2007 uma primeira reacção aos resultados oficiais, o segundo sofre um ataque causado pela emoção da vitória e fica incapacitado para o cargo. Alegre consegue o terceiro lugar e, num exercício poético, recita: “Ultrapassasse eu o segundo / Esse de nome Cavaco / Que em mentiras é fecundo / E nos mandou prò buraco / Ficaria eu em primeiro / E seria o Presidente / Que agora ninguém mais fecha / As portas que Abril abriu.” Jerónimo acusa novamente Alegre de aproveitamento demagógico dos símbolos comunistas portugueses e lamenta para os seus botões não ter a desculpa de estar afónico para justificar a derrota. Louçã vai com Miguel Portas a uma roulotte comer uma bifana e beber uma mini. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados, esbracejando no meio de uma pequena multidão (ele, a mulher e o motorista).
QUARTO CENÁRIO Jerónimo ganha as eleições à primeira volta e anuncia desde logo a realização de uma presidência aberta dedicada à reforma agrária, para o que conta com a colaboração de “Os Verdes”. Cavaco engole um bolo-rei inteiro para justificar a azia. Soares, Alegre e Louçã emigram para Paris. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados mas lamenta “profundamente” esta “vitória da direita”.
QUINTO CENÁRIO Inspirados em Saramago, os portugueses depositam nas urnas um maciço voto em branco. Chamado a resolver o problema, o Presidente em funções torneia o protocolo e dá posse a Pedro Santana Lopes.
A propósito do famigerado Envelope 9, contendo a relação de telefonemas efectuados e recebidos por altas figuras do Estado e coligidos alegadamente no âmbito da investigação do processo Casa Pia, o Público noticia hoje em manchete que a PT “começou a fazer ficheiros antes de o Ministério Público pedir listagens”:
A Portugal Telecom (PT) terá começado a processar as listagens dos telefonemas de Paulo Pedroso ainda antes de estes dados terem sido formalmente requeridos pelo Ministério Público (MP). A PT começou a elaborar a facturação detalhada dos telefones, a que foram anexadas as listagens referentes às mais altas figuras do Estado, um dia antes de receber o ofício emanado do inquérito ao caso Casa Pia.
Mas, no publico.pt, também se noticia que a PT já negou o conteúdo do artigo:
A Portugal Telecom (PT) negou hoje ter iniciado a recolha da facturação detalhada do deputado Paulo Pedroso antes de o juiz de instrução criminal a ter ordenado, no âmbito do processo Casa Pia.
A gente sabia que esta história iria dar pano para mangas…