Aquilo que nos espera
Depois de domingo, 22 de Janeiro de 2006, as coisas podem desenrolar-se da seguinte forma:
PRIMEIRO CENÁRIO Cavaco ganha à primeira volta e, para comemorar, devora um bolo-rei inteiro em frente às câmaras da “National Geographic”. Alegre é enviado pelos socialistas para a sede do CDS como moeda de troca pelo retrato de Freitas do Amaral. Soares culpa a SIC pela derrota e vai à feira de Carcavelos comprar pantufas novas. Jerónimo adopta um discurso de vitória, conseguindo transformar o seu triste score na “maior votação de sempre, se comparada com as de qualquer período do regime fascista”. Louçã lamenta o dinheiro já gasto em gravatas. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados, esbracejando no meio de uma pequena multidão (ele e a mulher).
SEGUNDO CENÁRIO Cavaco atinge os 45% dos votos e os seus adversários 10% cada um, correspondendo os restantes 5% à abstenção forçada de funcionários da PJ escalados para a realização de escutas telefónicas. A segunda volta realiza-se, portanto, com a participação de todos os candidatos mas quem acaba por ganhar é um agricultor de Trás-os-Montes que apostara forte no Euromilhões da sexta-feira anterior.
TERCEIRO CENÁRIO Cavaco perde para Soares logo na primeira volta. O primeiro remete para o Outono de 2007 uma primeira reacção aos resultados oficiais, o segundo sofre um ataque causado pela emoção da vitória e fica incapacitado para o cargo. Alegre consegue o terceiro lugar e, num exercício poético, recita: “Ultrapassasse eu o segundo / Esse de nome Cavaco / Que em mentiras é fecundo / E nos mandou prò buraco / Ficaria eu em primeiro / E seria o Presidente / Que agora ninguém mais fecha / As portas que Abril abriu.” Jerónimo acusa novamente Alegre de aproveitamento demagógico dos símbolos comunistas portugueses e lamenta para os seus botões não ter a desculpa de estar afónico para justificar a derrota. Louçã vai com Miguel Portas a uma roulotte comer uma bifana e beber uma mini. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados, esbracejando no meio de uma pequena multidão (ele, a mulher e o motorista).
QUARTO CENÁRIO Jerónimo ganha as eleições à primeira volta e anuncia desde logo a realização de uma presidência aberta dedicada à reforma agrária, para o que conta com a colaboração de “Os Verdes”. Cavaco engole um bolo-rei inteiro para justificar a azia. Soares, Alegre e Louçã emigram para Paris. Garcia Pereira festeja os 1,1% alcançados mas lamenta “profundamente” esta “vitória da direita”.
QUINTO CENÁRIO Inspirados em Saramago, os portugueses depositam nas urnas um maciço voto em branco. Chamado a resolver o problema, o Presidente em funções torneia o protocolo e dá posse a Pedro Santana Lopes.
