A gente lê e não quer acreditar. Vanessa Filipa, de 5 anos de idade, morreu às mãos do pai e da avó paterna, vítima de queimaduras com ferros em brasa e água a ferver. A família lançou depois o corpo ao rio Douro.
O julgamento do caso, que agora decorre, trouxe de novo para os media o caso da pequena Vanessa. E os contornos da história são de um horror que dificilmente se digere. A começar logo pelo depoimento da avó, uma mulher de 49 anos, que diz não perceber como é que a neta morreu - a menina tinha ficado queimada, devido a um alegado acidente doméstico, mas “andava e comia bem”. A avó só não soube explicar por que não chamou o INEM na hora da morte, optando por lançar o corpo ao rio Douro.
O pai da menina, que “era da rua”, um “drogado”, ficara com a tutela da criança em Dezembro de 2004, após o tribunal ter decidido retirá-la da custódia da madrinha (a quem a mãe a entregara pouco depois do nascimento). Era, portanto, a avó quem “cuidava” de Vanessa.
As queimaduras que surgiram no corpo da menina “foram um acidente”, reforça a avó. Numa primeira vez, a mulher estaria a queimar creme e bateram-lhe à porta. A neta encontrava-se na cozinha e ali ficou, sozinha. Quando voltou, Vanessa “tinha o ferro enrolado nela”. Mais tarde, novo “acidente”, desta vez na banheira: também sozinha, a criança “abriu a torneira da água quente”.
Mas a tia de Vanessa, irmã do “drogado”, conta uma versão diferente: afirma que a menina costumava dizer que “não gostava da avó e que os irmãos eram os filhos da madrinha” e que, por isso, sofria castigos. Acusações: a avó fechava-a no quarto ou na despensa; o pai estivera uma vez “com o ferro em brasa na mão e a ameaçar a menina”, enquanto a avó observava, de pé; banhos de água fria; banhos de água a ferver. A tia não denunciou o caso “porque precisava de uma casa para morar”.
Depois de um desses banhos de água a ferver, Vanessa Filipa ficou com as pernas e as nádegas queimadas e não conseguiu andar durante alguns dias, após os quais viria a falecer. O pai e a avó da menina simularam, então, o seu desaparecimento: levaram a criança morta ao colo até Gaia, onde a lançaram ao rio Douro. Regressaram ao Aleixo (onde morava esta rica família) e a avó saiu com a filha mais nova para a feira do Canidelo, onde alertou que a neta se tinha perdido.
Perante estes horrores, que são hoje relatados no Diário de Notícias, e entre outras questões pertinentes, apetece perguntar o seguinte: e as comissões de protecção de menores - qual o seu papel no meio desta miséria toda?