Hipócritas
“O exercício da sexualidade só tem uma verdadeira dimensão humana e cristã se for um veículo de amor, só se realiza num matrimónio heterossexual e monogâmico”, disse esta quinta-feira o vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. António Montes, citado pelo Público.
A Igreja Católica já nem me surpreende. Mas há sempre algo de sobrenatural neste tipo de declarações, e é por isso que gosto de partilhá-las com os machos leitores do Boblog. Concordarão que não é todos os dias que se ouvem vozes do além; inócuas, ainda assim.

Mas no que a Igreja consegue suplantar bem estas coisas de fantasia é em tudo aquilo que envolva a palavra “preservativo”. Na mesma notícia avançada pelo Público, adianta-se que a utilização deste contraceptivo para evitar a propagação da sida foi admitida como um “mal menor” por D. António Montes.
Ergam-se os mortos condenados ao Inferno pelo Vaticano! Ressuscitem as prostitutas, os gigolos e os adolescentes que tentaram em má hora descobrir a sexualidade! Agora que a Santa Sé decidiu que, afinal, já se pode usar “camisinha”, passámos todos a ser santos.
No entanto, uma dúvida paira ainda sobre esta minha cabeça tão ingénua: se eu fosse gay - também teria direito ao divino perdão?