Isto é um não-post!

O ministro dos Negócios Estrangeiros dá uma entrevista à “Única”, revista do Expresso. O jornal chega às bancas e cai o Carmo e a Trindade, porque a manchete é “Freitas cansado no MNE”.

Freitas do Amaral reage ao título (não ao conteúdo da entrevista) e promete para a tarde uma conferência de imprensa para desmentir o que não havia dito.

A oposição, claro, não perde tempo. Marques Mendes considera que um ministro estar cansado ao fim de um ano de governo “não é um bom presságio”. Pires de Lima ensaia a piada fácil e previsível e, com cara de homem sério que se atribui a si mesmo uma enorme graça, diz ter chegado o tempo de demitir Freitas do Amaral; e sugere a Sócrates que o alivie do “fardo” do ministério. Jerónimo de Sousa é cauteloso e opina ser “precipitado” comentar, para já, as declarações.

Freitas do Amaral

Entretanto, Freitas reúne com o primeiro-ministro, que o terá convencido a cancelar a conferência de imprensa da tarde. O ministro emite, ainda assim, um comunicado desmentindo categoricamente que tenha afirmado ao Expresso que estava cansado do ministério, explicando que o que havia dito era, simplesmente, que essas funções são cansativas (o que, convenhamos, não é bem a mesma coisa…).

O director do Expresso, por seu lado, revela-se “perplexo” com o desmentido de Freitas. E, claro, as TVs dedicam boa parte dos seus telejornais ao assunto.

Eu até poderia, se estivesse praí virado, dissertar sobre o cansaço. Ou sobre o cansaço dos ministros. Ou o da oposição. Das televisões. Das manchetes do Expresso. Mas não vou por aí. O que apetece perguntar, apenas, é: NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE NESTE PAÍS COM QUE A GENTE SE DEVA PREOCUPAR?…

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