A ressaca

Segundo o publico.pt, citando o Jornal de Negócios, a Federação Portuguesa de Futebol pretende que o Governo isente de IRS os prémios de participação que os jogadores presentes no Mundial da Alemanha irão receber, no valor de 50 mil euros cada.

A questão nem se coloca, pelos vistos, em termos legais - em causa estará o n.º 5 do artigo 13.º do Código do IRS, segundo o qual este imposto “não incide sobre os prémios atribuídos aos praticantes de alta competição, bem como aos respectivos treinadores, por classificações relevantes obtidas em provas desportivas de elevado prestígio e nível competitivo”.

Mas talvez o assunto possa dar azo a outras reacções. Por exemplo, num dos documentos enviados ao Governo, solicitando a isenção do imposto, pode ler-se o seguinte: “As selecções nacionais têm obtido, na última década, relevantes resultados internacionais, que muito têm contribuído para a divulgação do prestígio do País no exterior [bold meu], situação que é justificada pelo lugar que ocupa actualmente o futebol português a nível mundial.”

Eu pergunto: “prestígio do país no exterior” em que sentido? Estamos mais ricos? A economia avança? Há mais investimento? Há mais cultura e educação? O prestígio de um país pode medir-se pela qualidade do futebol que a Selecção Nacional pratica?

Como diria Vasco Pulido Valente, não me parece que uma equipa de futebol, seja ela qual for, possa representar o meu país. A mim ninguém me consultou sobre o assunto.

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One Response to “A ressaca”

  1. AD Says:

    Há uns dias li um comentário n’O Aveiro que colocava a mesma questão: prestígio em que sentido?

    Falava de fundos Europeus conseguidos para o desenvolvimento do país e colocava a questão sobre onde estaríamos em 2010. Vamos ser os maiores, os melhores. Estaremos à frente… Se em nada mais, pelo menos no Futebol. Bem, pelo menos os quarto melhores…