Dezanove e quatre-vingt-dix
Thursday, August 31st, 2006Hoje é o último dia de Agosto (há, com certeza, pessoas que não sabiam disso e, portanto, achei que seria bom partilhar esta informação com os mais distraídos).
Ora, final de Agosto significa também que acabou a tortura das conversas aos berros num francês que não lembra nem ao diabo mais sádico. Nada me move contra os emigrantes portugueses em França; apenas lamento o desprezo que têm pela língua portuguesa.
Mas não só. Além de desdenharem da língua-pátria (a qual, geralmente, assassinam antes mesmo de serem emigrantes), adoram fazer-se passar por estrangeiros, dificultando com a maior das naturalidades a vida de quem está a trabalhar e se esforça por entendê-los.
Não sei que coisa passa pela cabeça dessa gente, mas chego a pensar que o que perseguem - e julgam alcançar com este tipo de atitude - é um certo status que seria impossível de obter caso falassem “apenas” português.
Há dias, num clube de vídeo de um amigo, passou-se um episódio curioso. Um dos seus sócios é um nova-iorquino casado com uma portuguesa de Amarante. O homem conheceu-a em Portugal, mas detestou Amarante. Por outro lado, gosta muito de Espinho e é para cá que vêm passar férias quando regressam ao país-natal da mulher.
Estávamos ali numa conversa amena, num português “arranhado” e num inglês mais ou menos (o “mais” era do meu amigo; o “menos” era meu), quando o homem se vira e diz: “Por que é que os portugueses que emigram para França vêm para cá falar em francês?” Não sei, não sabemos. Mas a hipótese da busca do status tinha ali mais um adepto.
Depois o nova-iorquino foi ao Pizza Hut encher-se de hamburgers comida com o enteado francês. Eu e o meu amigo, brasileiro, ficámos a conversar em português. No instante seguinte, entra uma senhora com o aspecto mais lusitano possível (só lhe faltava o bigode), perguntando se o jogo de vídeo exposto na montra custava mesmo “dezanove e quatre-vingt-dix [€19,90]”.
Custava.

Porque isto de blogar não é só para mandar bitaites e contar umas anedotas queria vos deixar com uma questão séria. Um exercício de física. Respondam pelos comentários se fazem favor:
