Archive for December, 2006
Cada dia é mais evidente que partimos
Friday, December 29th, 2006.
Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste.
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Sophia de Mello Breyner Andresen
Antologia - Círculo de Poesia. Moraes Editores, 1975
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O Google é uma merda
Wednesday, December 13th, 2006Sim, eu sei que sou um bocado imparcial nesta matéria, mas o Google é um bocado merdoso. Não encontra nem uma única imagem de um caralho das caldas… Já o Yahoo!…
Cortesia do Gimba.
Bilhete d’entidade
Saturday, December 9th, 2006Há sempre aquele momento na vida de uma pessoa em que do lado de lá do balcão o funcionário zeloso faz a pergunta sacramental: “E o bilhete d’entidade - trouxe?”
Começo, sinceramente, a ter vontade de responder: “O bilhete d’entidade não; mas tenho aqui o de identidade.”
Será que também serve?…
A laicidade perdida
Saturday, December 9th, 2006A propósito do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, que em Fevereiro os portugueses serão chamados a votar, dou comigo a pensar na laicidade perdida do Estado.
Num país em que esse mesmo Estado se afirma precisamente laico, é impressionante o tempo de antena oferecido à Igreja Católica para opinar sobre tudo e mais alguma coisa. Ainda por cima, quando os seus fiéis se auto-intitulam, na grande maioria, “católicos não praticantes”…
Domingueiros, esses vampiros invertidos
Monday, December 4th, 2006Capricho do azar, quando dou por mim já estou numa fila de trânsito para me meter no shopping (ainda por cima outlet, amigo da crise) a um domingo à tarde. Eles lá vão, sempre tão devagar como se houvesse paisagem a contemplar, alguns até com o ombro pousado junto à janela do carro e a cabeça tombada no punho cerrado, para o passeio habitual; é ritualesco, a maior parte nem está interessada em comprar o que quer que seja. As lojas atafulhadas, filas nos provadores, mais filas nas caixas; até que, num entrar e sair de vestiário, 75,87% daquela gente já não está ali! Ameaça de bomba?! Por que foram os domingueiros embora de repente? Já não há sol, explico de mim para mim próprio. Na minha terra é igual: se o sol se puser às 22h00, há domingueiros até às 22h00, se o sol se puser às 16h00, há domingueiros até às 16h00. Um fenómeno idêntico ao vampirismo, mas totalmente invertido, anti-noctívago, como se, no escuro, uma brigada pró-sociedade evoluída viesse aniquilar a parolada. Eu cá proponho uma solução: tape-se-lhes o sol com uma peneira…
O país do nem-chove-nem-faz-sol
Saturday, December 2nd, 2006Podia ser eu, ali dentro daquele metro. É pouco provável, a imagem vem da net, mas ilustra em preciso a passagem sobre a ponte que me deixou a pensar no assunto. A Ribeira, no Porto e em Gaia, estava alagada; tanto ou talvez menos do que alguns sítios do país transformados em Venezas de um momento para o outro sem que os moradores tivessem tempo para trocar os carros por gôndolas ou as Zundaap por pranchas de surf. Se as chuvas caem mais forte, é porque “não estávamos preparados”, foi um “caso anormal”. E, no Verão, se o sol ajuda a propagar os incêndios, milhares de árvores ardem, dezenas de famílias ficam sem casa, é porque “não estávamos preparados”, um calor tão intenso foi “caso anormal”.
Já desconfiava: este é o país do que-nem-chova-nem-faça-sol. Porque quanto menos-chover-e-menos-fizer-sol, menos há que fazer para dar ao Zé Povo condições em… condições. Enquanto não-chove-nem-faz-sol, até nos podemos convencer de que não estamos no terceiro mundo.


