Domingueiros, esses vampiros invertidos
Capricho do azar, quando dou por mim já estou numa fila de trânsito para me meter no shopping (ainda por cima outlet, amigo da crise) a um domingo à tarde. Eles lá vão, sempre tão devagar como se houvesse paisagem a contemplar, alguns até com o ombro pousado junto à janela do carro e a cabeça tombada no punho cerrado, para o passeio habitual; é ritualesco, a maior parte nem está interessada em comprar o que quer que seja. As lojas atafulhadas, filas nos provadores, mais filas nas caixas; até que, num entrar e sair de vestiário, 75,87% daquela gente já não está ali! Ameaça de bomba?! Por que foram os domingueiros embora de repente? Já não há sol, explico de mim para mim próprio. Na minha terra é igual: se o sol se puser às 22h00, há domingueiros até às 22h00, se o sol se puser às 16h00, há domingueiros até às 16h00. Um fenómeno idêntico ao vampirismo, mas totalmente invertido, anti-noctívago, como se, no escuro, uma brigada pró-sociedade evoluída viesse aniquilar a parolada. Eu cá proponho uma solução: tape-se-lhes o sol com uma peneira…