As curtas do Viegas

Há tempos convidámos uns amigos e colegas para escrever no blog connosco. Os resultados foram escassos, contam-se pelos dedos de uma mão. Aliás, contam-se com um dedo. Deixaram-nos, porém, 3 posts em rascunho que vêem agora a luz do dia:

Cigano @ 28.05.2005

O Zé António joga na Académica. A Académica treina no Campo do Bolão. Ao lado do Campo do Bolão há um parque nómada de uma família cigana. Noutro dia o Zé António deixou o carro no Campo do Bolão durante a noite. Alguém partiu o vidro de trás do carro do Zé António e roubou-lhe ténis, botas e documentos. A polícia diz que não imagina quem foi. Tudo aponta para o parque nómada. A polícia diz que não. Alguns dos documentos começam a aparecer. Junto ao parque nómada. A polícia continua a dizer que não.

Coldplay @ 28.05.2005

Nunca tive bandas de estimação, sempre fui assim um bocado na onda do que os outros ouvem, já Marx falava naquela coisa das ideias-classes-dominantes, o único concerto que vi fora das festas universitárias foi dos Pearl Jam, no Restelo, tocado à brisa do Tejo, mas ultimamente há uma banda que me tem vindo a encher as medidas: Coldplay. Parece que finalmente tenho ideias próprias. Ou não.

Destino @ 25.05.2005

Ia a caminho de um jantar entre colegas e amigos quando recebo um telefonema a avisar de um acidente de viação que envolvera dois jogadores do Tourizense: um morrera e o outro estava em coma . Imaginem o pânico dos momentos seguintes. Tenho muitos amigos lá. Um deles é um grande amigo. Ainda sem saber quem esteve, afinal, envolvido, ligo-lhe. Telemóvel desligado. Sem saber muito o que fazer, porque nunca sei que dizer às pessoas nestas alturas, ligo à namorada dele, grande amiga minha. Ela atende e, apesar da voz embargada, percebo que não se tinha passado nada com ele, como ela própria me explica. Respiro de alívio, talvez a notícia até estivesse errada, fosse falso alarme, mas não. Houve mesmo um acidente, houve mesmo um morto, há mesmo alguém entre a vida e a morte. Conhecia-os de vista. Dois jovens cheios de sonhos. Se não sei o que dizer nestas alturas, muito menos sei o que pensar.

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