Atirar a primeira pedra
O “novo jornalismo” continua à solta lá para os lados do P. À falta de uma verdadeira “silly season” (este ano recheada com o desaparecimento de crianças, com raptos, furacões e treinadores do Benfica), a direcção editorial desdobra-se em acrobacias para competir com o Correio da Manhã no que a títulos desinteressantes por centímetro quadrado de capa diz respeito.
Uma das “grandes notícias” de hoje, dia vinte e dois de Agosto do ano da graça de dois mil e sete, é a “investigação” realizada pelo jornalista Ricardo Dias Felner acerca do blog pessoal de Luís Filipe Menezes (LFM), o qual, conclui, contém “textos assinados” pelo autarca de Gaia mas que foram “copiados de sites da Internet”, nomeadamente da wikipedia.
Deverei esclarecer que não sou filiado em - ou simpatizante de - qualquer partido, muito menos no PSD (a cuja liderança LFM concorre). E deverei esclarecer, ainda, que é minha convicção que o assunto não merece honras de notícia “explosiva”, e muito menos com chamada de primeira página. E muito menos, também, no P.
Porquê? Porque, se há pessoas/entidades em Portugal que deveriam ter redobrados cuidados quando falam de plágio, elas são o P e os seus jornalistas. Tal como já referi neste blog, os casos de plágio do jornal são das coisas mais vergonhosas a que Portugal assistiu nos últimos tempos. Só este ano, já houve, por exemplo, o caso de Clara Barata (Janeiro.07), o de Joana Amado (Março.07), e ainda, além de outras tragicomédias, o de Laurinda Alves (Maio.07), que, numa crónica do P2, transcreveu um poema que conhecia da Internet e que apresentou como sendo de Pessoa. Mas… não era.
