Precariedade
Hoje ligou-me alguém que se lembrava que já fui jornalista. Queria convidar-me para aproveitar a oportunidade de, em meios públicos, dizer precisamente que fui jornalista, lembrar a precariedade de quem trabalha muito a ganhar pouco e sem contratos, ou seja, que é como quem diz, por conta própria. E de quem paga €1000 de IRS (!!!)/ano sem ganhar muito mais do que €500/mês. Mas, a meio da conversa e das recordações, pude constatar que a precariedade não é só essa: é trabalhar aos fins-de-semana, sem horários (de saída, claro), benefícios sociais, nem nada que se pareça com as regalias que a pomposa Carteira Profissional podia fazer supor. Eu, que já me arrependi de algumas coisas na vida, cheguei à feliz confusão que, já lá vai quase um ano, não podia ter tomado decisão mais brilhante! E nem é preciso ir falar disso em público…
November 1st, 2007 at 21:34
És e serás sempre um grande escritor e contador de histórias (principalmente daquelas de quando eras pequeno
). O que importa é que agora és e estás realmente feliz e tens muita qualidade de vida (o que antes, por várias razões, nem sabias o que era).
P.S: Continua a postar, porque adoro sempre o que escreves!
November 2nd, 2007 at 10:49
É sempre um prazer ver-te por estas bandas. Então conta-me lá, o que andas a fazer agora?
Abraço,
AD
November 2nd, 2007 at 11:16
Não podia estar mais de acordo contigo. Um abraço. É bom ter-te por cá de novo.
November 2nd, 2007 at 13:32
Hoje ninguém me ligou a lembrar que já fui jornalista. O que me faz lembrar que o meu curriculum anda para aí perdido. Como muitos outros. Mas também já lá vai quase um ano que deixei de trabalhar horas intermináveis, sem fins-de-semana ou folgas, e numa luta constante contra as más práticas, a falta de ética, a incompetência e o amadorismo de muitos. E tudo por um mísero ordenado. Ou nem isso. Quase ao fim de um ano, também cheguei à feliz conclusão de que não podia ter tomado decisão mais brilhante. Uma feliz/infeliz coincidência. Só tenho pena de o jornalismo estar entupido de maus jornalistas.
November 2nd, 2007 at 20:44
MEL! Agora? Bem, agora… levanto-me cedo, mas sei para onde vou; não sei bem a que horas saio, mas sei que saio no próprio dia em que comecei a trabalhar; sei a que dia recebo, quanto recebo e quanto posso vir a receber. Uso gravata e até já gosto da ideia (virei comprador compulsivo de tudo o que sejam gravatas, ou fatos, ou afins). Não, não sou testemunha de Jeová; só bancário…