Archive for January, 2008

O apêndice

Friday, January 25th, 2008

José Carlos Malato está, neste momento (22:47), a estrear em directo uma espécie de talk-show na RTP1. Algo assim entre o “Só Visto” e o “Herman Sic”.

Claro que, em se falando de Herman, a Mariza tinha de estar presente. E esteve.

É verdade, o lóbi gay não “deslarga” da grande fadista; que nem sequer é única.

ACTUALIZAÇÃO Corrijo: não foi só o apêndice do Herman que apareceu; afinal o quisto que fora retirado ao Malato também esteve presente. Está fútil como sempre e chama-se… Merche Romero.

ÓSCAR C. Concordo inteiramente consigo: o Herman está em grande. E daí?

Making Canada a little less skilled

Thursday, January 24th, 2008

Há uns dois anos, no já longínquo de 2006, o governo Conservativo Canadiano decidiu deportar um elevado número cidadãos portugueses que residiam há muito tempo no país mas que, apesar de, maioritariamente falando, levarem vidas normalíssimas com trabalho, casa, filhos e escola, não se encontravam completamente legais. Esta e outras medidas fizeram parte da iniciativa de “Immigration enforcement” levada a cabo pelo governo e afectou principalmente as comunidades portuguesas e latino-americanas.

Com certeza não é novidade que, ao contrário do que se passa em solo nacional, a reputação dos portugueses (emigrados) é muito boa - somos vistos como bons e dedicados trabalhadores, cidadãos honrados e cumpridores e tudo aquilo que, em termos médios, se diz que os portugueses não são. Há quem diga que isto se deve às chefias e lideranças, que são melhores, às condições, que são mais aprazíveis, e, como tal, mais motivadoras. Mas isto é uma discussão para outra altura.

Pois foi assim que, enquanto emigrante e familiar e amigo de emigrantes portugueses, encontrei neste vídeo uma engraçada mas sinceramente franca paródia à situação em causa.

Why? Fi!

Tuesday, January 15th, 2008

A tecnologia é uma coisa fabulosa. Este post foi publicado directamente da minha casa-de-banho enquanto sentadinho na cagadeira.

E onde estava Deus?

Friday, January 11th, 2008

A polícia holandesa deteve hoje no aeroporto de Amesterdão-Schiphol um padre boliviano que escondia três quilos de cocaína debaixo da batina, revela o Sol.

É a primeira vez que as autoridades holandesas prendem um religioso por tráfico de droga… naquele aeroporto. “Areia santa”, chamou o padre à cocaína. E nem assim recebeu um sinal de Deus. Dramático.

Duzentos por cento

Friday, January 11th, 2008

psiquico.jpg

É difícil escolher, para destaque, um único aspecto deste panfleto que anda a circular por Espinho: se a nova língua portuguesa (”venha a apreender”, “1 e 2 Nível”), se o aspecto gráfico inovador (de que ressalta o recurso a esse supra-sumo do design, o “Wordart”), se, ainda, o “duzentos por cento” que é oferecido (”100% Teórico, 100% Prático”)…

Sabe mais do que o Jorge Gabriel?

Saturday, January 5th, 2008

Aproveitando o regresso desse êxito televisivo a nível planetário que dá pelo nome “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?”, que fora de férias e não se percebe por que não se deixou ficar no limbo das prateleiras da RTP, aproveitando esse regresso, dizia, apresento a minha reflexão crítica sobre o programa da TV que mais contribui para a promoção do trabalho infantil e para a perda de dignidade das crianças. E que, pelo meio, ainda consegue fazer publicidade encapotada a uma marca de água com gás.

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

O OBJECTIVO “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?” é um concurso televisivo que vai para o ar nas noites de segunda a sexta-feira, na RTP1, canal de serviço público do Estado. Basicamente, os concorrentes, adultos, estão ali para serem humilhados pela “sabedoria” de meia dúzia de crianças residentes e para sofrerem na pele a simpatia postiça dos “bitaites” de Jorge Gabriel, o omnipresente e intrépido apresentador da estação.

O DUELO O concorrente escolhe uma criança com a qual irá digladiar-se na resposta a uma pergunta, que tem sempre a ver com matérias relativas ao dois ciclos do ensino básico (1.º - 6.º anos). Dispõe de três ajudas, entre as quais a cultura do seu opositor. Depois de “espreitar” e “copiar”, e após ser “salvo”, resta-lhe apenas a sua baixa cultural geral, que será certamente insuficiente para identificar a divisão da nova roda dos alimentos à qual pertencem o tomate e a beterraba. Perdendo, ganha, contudo, e quase sempre, 1.500 euros, não sem antes se virar para a câmara (portanto, para o país todo) e declarar, de sorriso amarelo: “Sim, é verdade, eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos!”

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

O DÉCOR O programa tem um cenário impecável: por um lado, os familiares dos concorrentes (que parecem geralmente tão divertidos quanto o ex-líder do CDS, Ribeiro e Castro) e os paizinhos das crianças (tão babados quanto o Mira Amaral quando fala), sentados em linha e muito bem comportados; por outro lado, um ecrã gigante com uma imagem a imitar um quadro antigo de ardósia, e ainda - a cereja no topo do bolo - uma secretária de madeira difarçada de velha, com um globo terrestre em cima e um conjunto de outros acessórios, espalhados, de que farão parte (ninguém me tira esta ideia) uma régua para bater nas mãozinhas, um crucifixo e uma fotografia tipo passe de António de Oliveira Salazar.

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

A PUBLICIDADE Agora que esta reflexão chega quase ao fim, parece-me que não consegui transmitir com toda a propriedade a impressão que este programa me faz. É por isso que me apresso a falar já na publicidade não identificada que o programa tem o desplante de fazer: quer a mesa do concorrente, quer a mesa do petiz armado ao pingarelho, têm em cima, e de forma bem visível, uma garrafa de água com gás. Umas noites, é de um sabor; noutras, outros. Nunca vi a expressão “publicidade” ou “pub” no topo direito do ecrã, pelo que, concluo, essas bebidas serão o último dos bálsamos para os participantes: das crianças, que ficam tontas por se sentirem tão sábias; dos concorrentes, que ficam com azia devido à declaração final; do apresentador, que, concedendo eu que seja boa pessoa, se vê na necessidade de ajudar à digestão, que, habitualmente, pára quando percebe que está a fazer-se passar por um professor imbecil ou por um perigoso “bufo” do Estado Novo. Se bem que, na minha opinião, consiga conciliar bem as duas vocações.