A temível CCS
Constança Cunha e Sá (que, por decoro, recuso identificar como companheira de Vasco Pulido Valente, o qual, escrevendo no mesmo jornal que a mulher, fez essa coisa amorosa de a citar numa das suas crónicas) - ou, como passarei aqui a designá-la, a temível CCS - acaba de se espalhar ao comprido no “Cartas na Mesa”, programa de entrevistas que estreou esta noite na TVI.

Infelizmente para a temível CCS, e felizmente para a concorrência, o conjunto de figuras tristes da temível CCS começou cedo e acabou tarde. A saber:
FIGURA TRISTE UM Para inaugurar este seu novo programa, a temível CCS convidou a ministra da Educação. Penso que o terá feito achando que bater em alguém que está farto de levar de uma classe não menos temível (os professores) renderia muito em termos de audiências e nem sequer obrigaria a estudar os temas. Ofereço-vos, para já, uma pequena passagem da entrevista ocorrida mais ou menos a partir da terceira pergunta:
Temível CCS - Mas por que é que, em vez de avaliarem os professores, não começam por avaliar as escolas?!
Ministra - Mas as escolas estão a ser avaliadas!
Temível CCS (engasgada) - Ah… Pois… Hum… mas são só 22!
Ministra - Não, não… Começámos a avaliação externa em 24 escolas-piloto, mas ela agora alargou-se a todo o país!
FIGURA TRISTE DOIS Que tipo de cartas - pensava eu com os meus botões - é que a temível CCS terá, afinal, na mesa? “Deve ser alguma coisa que a põe parva”, alvitrava, carinhosamente, a minha pessoa. Isto sucedeu depois de ter assistido a esta pergunta da temível CCS:
Temível CCS - Mas em que medida é que a extinção dos exames pode contribuir… ai! Exames! Exames?! Não é “exames” - que disparate! Peço desculpa, eu queria dizer “retenções”.
FIGURA TRISTE TRÊS A certa altura da entrevista, que se tornara, entretanto, e em definitivo, um espectáculo televisivo confrangedor, a ministra puxa de uns quadros impressos em A4 para ilustrar o que dizia. Reparem na classe, na coerência, no profissionalismo da temível CCS:
Ministra - Eu tenho aqui uns quadros para mostrar…
Temível CCS (interrompendo-a) - …não temos tempo para ver quadros!
[a ministra “ilustra” os dados como pode, desenvolvendo o tema]
Temível CCS (interrompendo de novo) - …então e os resultados do Relatório PISA [Project for International Student Assessment]?
Ministra - Mas os números que estava a mostrar-lhe são exactamente fruto desse relatório!… [após o que, perante uma temível (mas condescendente) CCS, voltou a ilustrar o seu discurso com os quadros que fora, antes, obrigada a pousar na mesa]
FIGURA TRISTE QUATRO A sabedoria da temível CCS não tem limites. Deliciem-se com este naco cultural, com este excelente exemplo de como foi bem preparada a entrevista a um titular de uma pasta do governo da República:
Temível CCS - Mas, afinal, quem é que avalia as escolas?
Ministra - Trata-se de uma avaliação externa…
Temível CCS - Ah, não sabia…
FIGURA TRISTE CINCO A temível CCS faz a quase totalidade da despedida olhando para a câmara errada. Resta dizer que a temível CCS foi referida como, entre aspas, a temível CCS, porque, em minha opinião, a maquilhagem que lhe fizeram conseguiu ser tão temível como um soneto escrito por António Aleixo e emendado por Margarida Rebelo Pinto.
May 11th, 2008 at 15:14
[…] Moura Guedes, amiga da temível CCS e do inefável Vasco Pulido Valente, e que - apenas por facilidade de escrita - passarei a designar […]
July 3rd, 2008 at 11:57
[…] de Sousa, apesar de pevidosa, é muito mais eficaz na sua serenidade do que o estardalhaço que a temível CCS e a tenebrosa MMG habitualmente […]