Estações e apeadeiros
I. Em Espinho, os comboios já passam pelo túnel ferroviário há quase um mês. Eu andava tão distraído a ouvir o som do silêncio na cidade que até me esqueci de mencionar o facto. Esqueci-me disso e não só: nos primeiros dias de novidade, quando ia buscar a cara-metade ao comboio, parava o carro junto à estação… antiga.
II. Se Vivaldi fosse vivo, mudaria o nome do célebre conjunto de quatro concertos para, talvez, “Duas estações e um apeadeiro”. A piada é fácil, mas a verdade é que não há maneira de o tempo endireitar.

III. Para que serve uma rádio local? A pergunta tem-me assaltado amiudadas vezes, e a resposta é invariavelmente a mesma: para nada. Há quem diga que “no tempo das piratas é que era bom”, assim como se o fruto proibido fosse mais apetecível e, portanto, mais bem feito. Mas não era. E, obviamente, continua a não ser: a maior parte delas são verdadeiros gira-discos, sem qualquer interesse cultural, artístico ou de simples entretenimento. Além disso, é impossível fazer, neste país, uma viagem de carro ouvindo sempre a mesma estação de rádio: os emissores locais fartam-se de interromper o ouvinte. Para quê? Para nada.
IV. A estação SIC acusou a estação RTP de lhe copiar o grafismo da informação, noticia o DN. Rodrigo Guedes de Carvalho (SIC): “A RTP sempre foi, por tradição, entre os cinzentos e os azuis, […] e aquele laranja… Se vir o Telejornal e o Jornal da Noite ao lado um do outro, não há a mínima diferença.” José Alberto Carvalho (RTP): “Desconheço que haja um exclusivo das cores.” Uma argumentação com classe…