A borla não é redonda

Há borlas e borlas e umas causam mais dúvidas do que outras. Se cai do céu o convite para aquele concerto por que se esperou toda a vida, damos graças à sorte e vamos de sorriso entre as orelhas; mas se me acenam com um bilhete para ir ver o Toni Carreira, com direito a visita ao camarim e beijinho do artista, aí só lhe vejo três usos possíveis: (1) lareira com ele; (2) lareira com ele, já!; (3) vendê-lo a preço dourado a uma daquelas histéricas que, dos 2 aos 200 anos, bajulam o herói nacional.

Um Violino no Telhado

Mas há outras borlas, menos lineares: as que nos deixam com dúvidas. Será bom? Valerá a pena? Foi de graça, vamos lá… Com bilhetes assim, caídos de concursos de rádio, vivi na última semana experiências novas: um musical de La Féria (”Um Violino no Telhado”), que me faria bem pagar os bilhetes que não paguei, e uma adaptação de Ricardo Pais (”O Mercador de Veneza”), giro e tal, mas tão parado, tão parado, que a meio pagaria para sair sem ser visto.
Ah, aspecto comum a ambos: salas repletas de gente, pagadores e não-pagadores, mas todos com aparente interesse no bom trabalho que se vai fazendo pelo teatro no Porto.

P.S.: soube ontem que Ricardo Pais deixará a direcção do Teatro Nacional de S. João. Apesar de ter dormido em “O Mercador de Veneza”, parece-me, a mim que percebo pouco disto, uma má notícia para a cultura portuense.

One Response to “A borla não é redonda”

  1. AL says:

    Há coisas que nos surpreendem, de facto.

    Não querendo comparar mas lembrando a propósito, há muitos anos, em Setembro, fui ver no pavilhão do Sporting Clube de Espinho um concerto ao vivo do Marco Paulo.

    Encontrava-me em serviço de reportagem para o jornaleco em que trabalhava, e, respondendo com profissionalismo ao desafio, aproveitei a festa popular de Nossa Senhora da Ajuda para, nas diversas tendas musicais, me inteirar gratuitamente da discografia do cantor, dos títulos mais conhecidos, dos anos de edição, etc., etc. (a Internet ainda não era uma ferramenta acessível).

    Já em pleno concerto, Marco Paulo surpreendeu tudo e todos (eu incluído, claro) com a interpretação de dois fados. O homem excedeu-se. Não brinco.

    Eis como, a propósito de um post do rik@rdo – cujo regresso é sempre uma festa -, fui buscar uma memória com, pelo menos, 18 anos.

    Titulei a peça com a expressão “Marco em Setembro”. Devia achar que tinha muita piada, aqui o rapazola.

Leave a Reply