Sou grande fã da racionalidade, essa componente exclusiva da máquina humana que me permite escrever este post e que resultou de uma conjunção de factos aleatórios (e outros menos aleatórios) ao longo da nossa evolução. Ora, sendo eu um agnóstico arrevesado de ateu, assento toda a minha lógica de vida e princípios nessa mesma racionalidade. É um direito que me assiste… e uma responsabilidade, parte integrante da capacidade de poder reflectir sobre os meus actos (característica que me distingue dos restantes animais). Daqui resulta a minha moralidade, e não do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de um Deus putativo. Mas haverá moralidade sem religião, num país claramente marcado pela tradição católica? Eu quero acreditar que sim. A religião não é dona da moralidade. E não cesso de me espantar com a forma como o filósofo Shelly Kagan defende este ponto de vista, sustentando uma linha de raciocínio simples e lógica (partilho o vídeo convosco, se estiverem para aí virados). Eu próprio explico à minha filha que a regra fundamental na vida é não magoar ou prejudicar os outros («não gostas que to façam a ti, pois não?» – acrescento eu). Por muito inspirador que Jesus Cristo tenha sido, é preciso algo mais complicado do que isto? Depois todos nós construiremos os detalhes da moralidade em cima deste preceito, com base no contexto familiar e cultural em que crescemos. E cada um que depois encontre a sua fé (ou não), que isso já é um assunto de natureza pessoal.
A fé e a espiritualidade não fazem mal a ninguém, mas preocupa-me o ressurgimento de correntes político-religiosas radicais no ocidente (como se não bastassem as do Oriente). Há correntes fundamentalistas perigosíssimas a emergir nos Estados Unidos e cuja manipulação de massas está em curso com algum sucesso (é mais ou menos evidente que algumas congregações religiosas terão sido fundamentais na chegada de George W. Bush à Casa Branca, por exemplo, depois de conseguirem banir Darwin em algumas escolas e universidades). Partilho também convosco um site supostamente posto de pé para fazer face a essa manipulação de massas, onde poderão maravilhar-se com as potencialidades da ignorância (Truth Wins Out.org). Por exemplo, sabiam que é possível a um homem curar-se da homossexualidade por intermédio da prece? Posto isto, não vos parece mais seguro fomentar a racionalidade? Livre arbítrio: para todos e acima de tudo.
Adenda, nem por acaso: se puderem, dêem um salto a http://aeiou.expresso.pt/video-jovem-homossexual-exorcizado-por-grupo-religioso=f522690