Archive for the ‘Educação’ Category

“Os professores que paguem explicações!”

Tuesday, November 18th, 2008

É a frase do ano. Entrando hoje em directo no programa “Antena Aberta”, da “Antena 1″, um ouvinte “revoltado” com “a actuação dos professores”, critica-os por se queixarem tanto de as grelhas de avaliação serem difíceis de compreender.

“Que contratem explicadores e paguem explicações! Se não percebem as grelhas, paguem explicações, que eu também já gastei muito dinheiro com explicações para os meus filhos!”, dizia o senhor.

E quer-me parecer que tem toda a razão.

A temível CCS

Tuesday, May 6th, 2008

Constança Cunha e Sá (que, por decoro, recuso identificar como companheira de Vasco Pulido Valente, o qual, escrevendo no mesmo jornal que a mulher, fez essa coisa amorosa de a citar numa das suas crónicas) - ou, como passarei aqui a designá-la, a temível CCS - acaba de se espalhar ao comprido no “Cartas na Mesa”, programa de entrevistas que estreou esta noite na TVI.

Constança Cunha e Sá | Foto roubada do P

Infelizmente para a temível CCS, e felizmente para a concorrência, o conjunto de figuras tristes da temível CCS começou cedo e acabou tarde. A saber:

FIGURA TRISTE UM Para inaugurar este seu novo programa, a temível CCS convidou a ministra da Educação. Penso que o terá feito achando que bater em alguém que está farto de levar de uma classe não menos temível (os professores) renderia muito em termos de audiências e nem sequer obrigaria a estudar os temas. Ofereço-vos, para já, uma pequena passagem da entrevista ocorrida mais ou menos a partir da terceira pergunta:
Temível CCS - Mas por que é que, em vez de avaliarem os professores, não começam por avaliar as escolas?!
Ministra - Mas as escolas estão a ser avaliadas!
Temível CCS (engasgada) - Ah… Pois… Hum… mas são só 22!
Ministra - Não, não… Começámos a avaliação externa em 24 escolas-piloto, mas ela agora alargou-se a todo o país!

FIGURA TRISTE DOIS Que tipo de cartas - pensava eu com os meus botões - é que a temível CCS terá, afinal, na mesa? “Deve ser alguma coisa que a põe parva”, alvitrava, carinhosamente, a minha pessoa. Isto sucedeu depois de ter assistido a esta pergunta da temível CCS:
Temível CCS - Mas em que medida é que a extinção dos exames pode contribuir… ai! Exames! Exames?! Não é “exames” - que disparate! Peço desculpa, eu queria dizer “retenções”.

FIGURA TRISTE TRÊS A certa altura da entrevista, que se tornara, entretanto, e em definitivo, um espectáculo televisivo confrangedor, a ministra puxa de uns quadros impressos em A4 para ilustrar o que dizia. Reparem na classe, na coerência, no profissionalismo da temível CCS:
Ministra - Eu tenho aqui uns quadros para mostrar…
Temível CCS (interrompendo-a) - …não temos tempo para ver quadros!
[a ministra “ilustra” os dados como pode, desenvolvendo o tema]
Temível CCS (interrompendo de novo) - …então e os resultados do Relatório PISA [Project for International Student Assessment]?
Ministra - Mas os números que estava a mostrar-lhe são exactamente fruto desse relatório!… [após o que, perante uma temível (mas condescendente) CCS, voltou a ilustrar o seu discurso com os quadros que fora, antes, obrigada a pousar na mesa]

FIGURA TRISTE QUATRO A sabedoria da temível CCS não tem limites. Deliciem-se com este naco cultural, com este excelente exemplo de como foi bem preparada a entrevista a um titular de uma pasta do governo da República:
Temível CCS - Mas, afinal, quem é que avalia as escolas?
Ministra - Trata-se de uma avaliação externa…
Temível CCS - Ah, não sabia…

FIGURA TRISTE CINCO A temível CCS faz a quase totalidade da despedida olhando para a câmara errada. Resta dizer que a temível CCS foi referida como, entre aspas, a temível CCS, porque, em minha opinião, a maquilhagem que lhe fizeram conseguiu ser tão temível como um soneto escrito por António Aleixo e emendado por Margarida Rebelo Pinto.

O Dia da Mulher segundo a SIC

Saturday, March 8th, 2008

Almoçar em frente à TV proporciona coisas tão inéditas como começar a tarde sentindo o pulso ao país real:

1. Uma reportagem do “Primeiro Jornal”, da SIC, dá voz a um dos milhares de professores que hoje participa na “Marcha da Indignação”. Diz o docente que a classe está “com raiva”, embora eu pensasse que era só indignação.

2. A pivot daquele serviço noticioso, Fernanda Oliveira Ribeiro, lança uma peça sobre a mortandade nas estradas portuguesas com esta peróla: “No ano passado, houve menos acidentes mas morreram mais mortos.”

3. Bárbara Guimarães vai apresentar hoje, também na SIC (”where else?”), uma “maratona” (sic) dedicada ao Dia Internacional da Mulher. O programa chama-se “Super-Mulheres”, mas ela ficaria melhor à frente de um magazine de nome “A Mulher Instante”, “Teoria e Prática da Insustentável Leveza da Mulher no Séc. XXI” ou, quiçá, “Mulheres: Emoção, Razão ou Simples Embirração”?

Sabe mais do que o Jorge Gabriel?

Saturday, January 5th, 2008

Aproveitando o regresso desse êxito televisivo a nível planetário que dá pelo nome “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?”, que fora de férias e não se percebe por que não se deixou ficar no limbo das prateleiras da RTP, aproveitando esse regresso, dizia, apresento a minha reflexão crítica sobre o programa da TV que mais contribui para a promoção do trabalho infantil e para a perda de dignidade das crianças. E que, pelo meio, ainda consegue fazer publicidade encapotada a uma marca de água com gás.

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

O OBJECTIVO “Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?” é um concurso televisivo que vai para o ar nas noites de segunda a sexta-feira, na RTP1, canal de serviço público do Estado. Basicamente, os concorrentes, adultos, estão ali para serem humilhados pela “sabedoria” de meia dúzia de crianças residentes e para sofrerem na pele a simpatia postiça dos “bitaites” de Jorge Gabriel, o omnipresente e intrépido apresentador da estação.

O DUELO O concorrente escolhe uma criança com a qual irá digladiar-se na resposta a uma pergunta, que tem sempre a ver com matérias relativas ao dois ciclos do ensino básico (1.º - 6.º anos). Dispõe de três ajudas, entre as quais a cultura do seu opositor. Depois de “espreitar” e “copiar”, e após ser “salvo”, resta-lhe apenas a sua baixa cultural geral, que será certamente insuficiente para identificar a divisão da nova roda dos alimentos à qual pertencem o tomate e a beterraba. Perdendo, ganha, contudo, e quase sempre, 1.500 euros, não sem antes se virar para a câmara (portanto, para o país todo) e declarar, de sorriso amarelo: “Sim, é verdade, eu não sei mais do que um miúdo de 10 anos!”

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

O DÉCOR O programa tem um cenário impecável: por um lado, os familiares dos concorrentes (que parecem geralmente tão divertidos quanto o ex-líder do CDS, Ribeiro e Castro) e os paizinhos das crianças (tão babados quanto o Mira Amaral quando fala), sentados em linha e muito bem comportados; por outro lado, um ecrã gigante com uma imagem a imitar um quadro antigo de ardósia, e ainda - a cereja no topo do bolo - uma secretária de madeira difarçada de velha, com um globo terrestre em cima e um conjunto de outros acessórios, espalhados, de que farão parte (ninguém me tira esta ideia) uma régua para bater nas mãozinhas, um crucifixo e uma fotografia tipo passe de António de Oliveira Salazar.

Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?

A PUBLICIDADE Agora que esta reflexão chega quase ao fim, parece-me que não consegui transmitir com toda a propriedade a impressão que este programa me faz. É por isso que me apresso a falar já na publicidade não identificada que o programa tem o desplante de fazer: quer a mesa do concorrente, quer a mesa do petiz armado ao pingarelho, têm em cima, e de forma bem visível, uma garrafa de água com gás. Umas noites, é de um sabor; noutras, outros. Nunca vi a expressão “publicidade” ou “pub” no topo direito do ecrã, pelo que, concluo, essas bebidas serão o último dos bálsamos para os participantes: das crianças, que ficam tontas por se sentirem tão sábias; dos concorrentes, que ficam com azia devido à declaração final; do apresentador, que, concedendo eu que seja boa pessoa, se vê na necessidade de ajudar à digestão, que, habitualmente, pára quando percebe que está a fazer-se passar por um professor imbecil ou por um perigoso “bufo” do Estado Novo. Se bem que, na minha opinião, consiga conciliar bem as duas vocações.

Qualquer dia faço um mestrado

Wednesday, November 7th, 2007

Não sei é qual, muito menos quando será “qualquer dia”. Mas estou em formação no emprego e estimulei a sede de conhecimento. Terei paciência?

MUPI

Wednesday, October 3rd, 2007

Caro Tiago
(e, no fundo, todos os Tiagos deste meu mundo),

Não, não se escreve “moopie”. Não é uma palavra inglesa. E um MUPI não é, ao contrário do que escrevia o meu professor de Publicidade na UA, um “muppy”.

MUPI é simplesmente o acrónimo de Mobiliário Urbano Para Informação.

Deste que muito te (vos) estima,
AL

Quem disse isto?

Wednesday, October 3rd, 2007

“Seja quem for que está no Ministério da Educação e da Investigação Científica - chamemos-lhe assim - defende essa medida, medida essa que não é mais que o reflexo da crise do sistema do ensino burguês, [e que] é inteiramente incorrecta, anti-operária e anti-popular, que lança estudantes contra trabalhadores e trabalhadores contra estudantes.”

Hipóteses:
a) Jerónimo de Sousa
b) Bernardino Soares
c) Karl Marx
d) Durão Barroso
e) Marques Mendes

Verifique a sua resposta aqui.

Pensei que fosse licenciada…

Wednesday, September 12th, 2007


Para 2009: Maria de Lurdes Rodrigues quer 12 anos de escolaridade obrigatória

in sol.pt

Ministério da… Educação?

Friday, August 31st, 2007

Aviso sobre o concurso nacional de docentes colocado on-line no site da DGRH às 13h50 de 31/08/2007. Link temporário.

Fantasminha brincalhão

Thursday, August 9th, 2007

Cabelo em desalinho, barba grande de uma semana, acabado de sair de um Citröen com os Rolling Stones por companhia.

Nestes preparos, abeiro-me do balcão onde uma loira oxigenada me pergunta ao que vou. “Tem o último CD do Avô Cantigas?”, disparo.

Tinha. Fantasminha Brincalhão, do Avô Cantigas, acaba de ascender ao primeiro lugar de vendas de discos em Portugal, e sei de um pequenito rapaz que vai ficar eufórico com o presente.