Archive for the ‘Opinião & Comentário’ Category

O autor dentro

Wednesday, December 3rd, 2008

Depois de uma primeira tentativa falhada, consegui comprar bilhete para o Ensaio Sobre a Cegueira.

E o filme de Fernando Meirelles, posso dizer-vos, é tão bom como o livro de José Saramago. A película, tal como a obra escrita, traz o autor lá dentro. Como ele gosta.


Foto de Alexandre Ermel

Onde está o Loura?

Saturday, November 22nd, 2008

Está aqui, com grandes guitarradas e um trabalho apreciável. Bem sabia que o futuro daquele rapaz, que já se atirava à guitarra com as unhas todas quando era colega de curso aqui destes bobloggers, não passaria propriamente pelo Cancel Bubble (ou “cancelh boblhe”, em bom português). Vejam bem a discografia do homem…

Blind Charge, Nélson, Tetanus…

Saturday, November 22nd, 2008

O entusiasmo com que Nélson (um colega de trabalho especialista em gerir as moedas e decorrentes azias mas acima de tudo poeta, escritor, cronista e estudante) fala dos Blind Charge obrigou-me a querer descobrir mais. Está bem que é entusiasmo de pai, que está em todos os concertos e em cima de todos os acordes, mas, na dúvida, preferi confirmar se seria só isso. Não é - os rapazes são realmente bons; pesados, mas bons. Das duas amostras que nos dão a ouvir aqui, gosto especialmente de For You (March já foge ao meu estilo).

Esta incursão pelo My Space, além das saudades que me fez ter dos ensaios, concertos e gravações-maradas dos velhos tempos de Hangwire, levou-me a procurar amigos e encontrar os Tetanus. Melhores que nunca, boa malha!

Obrigado, Nélson.

…e as “canceleiras”

Saturday, November 22nd, 2008

Já que o tema é linha férrea, acho que aproveito a deixa do AL para descarregar finalmente a ira acumulada em minutos que já são horas, que, somadas, qualquer dia até são dias. Não queiram imaginar o tempo que passo sem passar nas… passagens de nível. Enterrem a linha, ergam pontes ou escavem túneis, façam qualquer coisa por favor!

As cancelas da Granja fecham quando o comboio, na melhor das hipóteses, chega a Espinho. E se outro vier no mesmo sentido e mais dois ou três no contrário o tempo de espera chega bem aos 20 minutos, com quatro de intervalo entre cada comboio, vezes e vezes e vezes incontáveis todos os dias.

E quando fecha, depois abre, sem passar comboio algum?! Com as simpáticas senhoras - que fecham e abrem e fecham e abrem a dita cancela como máquinas ou cães de Pavlov obcecados pelo estímulo da campainha - a reagir às pragas com piores pragas ainda.

Duas conclusões: 1) inadmissível não haver, em quilómetros, alternativas a este Inferno; 2) inadmissível pagarmos (sim, nós!) àquelas senhoras quando as cancelas automáticas funcionam da mesma maneira e não insultam ninguém - venha ou não venha o comboio!

A borla não é redonda

Saturday, November 15th, 2008

Há borlas e borlas e umas causam mais dúvidas do que outras. Se cai do céu o convite para aquele concerto por que se esperou toda a vida, damos graças à sorte e vamos de sorriso entre as orelhas; mas se me acenam com um bilhete para ir ver o Toni Carreira, com direito a visita ao camarim e beijinho do artista, aí só lhe vejo três usos possíveis: (1) lareira com ele; (2) lareira com ele, já!; (3) vendê-lo a preço dourado a uma daquelas histéricas que, dos 2 aos 200 anos, bajulam o herói nacional.

Um Violino no Telhado

Mas há outras borlas, menos lineares: as que nos deixam com dúvidas. Será bom? Valerá a pena? Foi de graça, vamos lá… Com bilhetes assim, caídos de concursos de rádio, vivi na última semana experiências novas: um musical de La Féria (”Um Violino no Telhado”), que me faria bem pagar os bilhetes que não paguei, e uma adaptação de Ricardo Pais (”O Mercador de Veneza”), giro e tal, mas tão parado, tão parado, que a meio pagaria para sair sem ser visto.
Ah, aspecto comum a ambos: salas repletas de gente, pagadores e não-pagadores, mas todos com aparente interesse no bom trabalho que se vai fazendo pelo teatro no Porto.

P.S.: soube ontem que Ricardo Pais deixará a direcção do Teatro Nacional de S. João. Apesar de ter dormido em “O Mercador de Veneza”, parece-me, a mim que percebo pouco disto, uma má notícia para a cultura portuense.

A sagacidade de João Pereira Coutinho

Wednesday, November 5th, 2008

Não sei como João Pereira Coutinho terá passado a noite, mas calculo que tenha recorrido a muitos sais de frutos para poder aguentar a azia que os resultados das eleições norte-americanas lhe causaram.

Há pelo menos um ano que o jornalista, colunista no “Expresso” e na “Folha de S. Paulo”, vinha afirmando na revista do semanário português que o novo Presidente só poderia ser John McCain. E o rapaz (porque é de um rapazito que se trata), conservador como só ele, gastou vários rios de tinta e muitas resmas de papel a expor os seus argumentos.

João Pereira Coutinho, Foto DR, montagem AL

Quer dizer, não eram bem “argumentos”. Era mais um “excluir de partes” que ele usava para sustentar a sua convicção, aliás, a sua previsão de avisado analista político. Assim, e citando de cor, a personagem vaticinava: “A América nunca irá eleger um pastor baptista [o republicano e antigo governador do Arkansas, Mike Huckabee]; nunca irá eleger um mórmon [o também republicano Mitt Romney, ex-governador do Massachusetts, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias]; não irá eleger uma mulher [a democrata Hillary Clinton]; e não irá eleger um afro-americano [o novo Presidente, o democrata Barack Obama].”

João Pereira Coutinho, Foto DR, montagem AL

Devo confessar - e isto não é brincadeira (um destes dias volto a postar uma brincadeira para atestarem da diferença) - que sinto algum pesar pelo rapaz-prodígio-jornalista-analista-conservador-copo-de-leite. Esclarecendo: primeiro foi a “Única” (revista do “Expresso”, que é “só” o melhor jornal português) a sofrer uma intervenção gráfica e de conteúdos que a tornou na publicação mais inócua, desinteressante e inútil dos media nacionais; e agora, sem que nada o fizesse prever (pois, pois), John McCain não só não foi eleito, como ainda por cima os americanos decidiram mandar um preto para a Casa Branca.

É verdade: o, até ontem, “afro-americano”, passou, da noite para o dia (literalmente), a ser “o primeiro Presidente negro da América”. Não é de rir?

João Pereira Coutinho, Foto DR, montagem AL

Larga a bola

Thursday, June 12th, 2008

Sou só eu ou vocês também acham que Deco tem demorado imenso tempo a largar a bola e insiste em enfiar-se em sítios de onde não vai conseguir sair?

A tenebrosa MMG

Saturday, May 10th, 2008

Manuela Moura Guedes, amiga da temível CCS e do inefável Vasco Pulido Valente, e que - apenas por facilidade de escrita - passarei a designar por tenebrosa MMG, estreou esta sexta-feira a sua versão do “Jornal Nacional”, na TVI.

José Eduardo Moniz (por acaso seu marido e, ao mesmo tempo, director de informação da estação de Queluz) deve andar angustiado: primeiro foi a temível CCS a estragar o início da semana; e, agora, a mesma semana acaba de ser encerrada (e estragada, diria eu) pela jornalista mais polémica dos media portugueses.

A tenebrosa MMG continua igual a si própria: abre e fecha as peças dando opinião pessoal, é mal-educada com os convidados e faz um alinhamento de notícias tendo por base o sensacionalismo. Estreou um barómetro político cuja utilidade ficou por explicar, entrevistou Valentim Loureiro aos berros, e, sem se rir, tratou Bagão Félix por “senhor doutor” e o doutorado Carvalho da Silva por “Carvalho da Silva”.

Com o novo formato do “Jornal Nacional” a ser anunciado como “mais alargado”, confesso que cheguei a temer o pior: se ele, normalmente, já dura uma hora e meia, será que iria prolongar-se até à meia-noite? Afinal não, a tenebrosa MMG ficou a mandar os seus bitaites apenas até às 22h; e, convenhamos, até podia ter ficado mais tempo, tendo em conta que a alternativa foi um conjunto de sete ou oito telenovelas seguidas…

A terminar a noite, a desgraça, o caos e o horror, a tenebrosa MMG anunciou a estreia da nova rubrica, “As Glórias da Semana”, da autoria do companheiro Vasco, o qual, por sua vez, e como já sabem, é companheiro da temível CCS. Mas… quem leu a crónica foi a própria, e tenebrosa, MMG! Isto é: esta mulher, jornalista, surge aos olhos dos telespectadores como pivot de um noticiário; depois, faz mau jornalismo porque dá opinião quando devia ser objectiva; e, a terminar, convida um amigo a escrever uma crónica de comentário político que ela própria lê em directo!

Um último parágrafo para a revelação: a tenebrosa MMG é aqui apelidada de tenebrosa MMG porque, além de ser uma péssima jornalista (embora ela, o marido e seus amigos estejam convencidos do contrário), reapareceu ao mundo com um look renovado: não fosse a minha meiguice natural, e iria jurar que ela encheu aquelas bochechas e bocarra de botox. Ou então só tropeçou no estúdio e bateu com a cara no chão. Isto é um “supônhamos”, claro.

ACTUALIZAÇÃO Faça-se justiça à sabedoria milenar do José Eduardo Moniz: afinal, e contra todas as expectativas, o Zé (permita-me esta proximidade) pôs a mão na consciência e ordenou à tenebrosa MMG que se calasse e deixasse ouvir a crónica do inefável VPV dita pelo próprio. Este poderá ser o início do fim: com um bocado de sorte, um dia destes teremos a tenebrosa MMG na reforma.

P.S. - A tenebrosa MMG é a última de uma longa série de duas crónicas iniciada com a temível CCS.

A temível CCS

Tuesday, May 6th, 2008

Constança Cunha e Sá (que, por decoro, recuso identificar como companheira de Vasco Pulido Valente, o qual, escrevendo no mesmo jornal que a mulher, fez essa coisa amorosa de a citar numa das suas crónicas) - ou, como passarei aqui a designá-la, a temível CCS - acaba de se espalhar ao comprido no “Cartas na Mesa”, programa de entrevistas que estreou esta noite na TVI.

Constança Cunha e Sá | Foto roubada do P

Infelizmente para a temível CCS, e felizmente para a concorrência, o conjunto de figuras tristes da temível CCS começou cedo e acabou tarde. A saber:

FIGURA TRISTE UM Para inaugurar este seu novo programa, a temível CCS convidou a ministra da Educação. Penso que o terá feito achando que bater em alguém que está farto de levar de uma classe não menos temível (os professores) renderia muito em termos de audiências e nem sequer obrigaria a estudar os temas. Ofereço-vos, para já, uma pequena passagem da entrevista ocorrida mais ou menos a partir da terceira pergunta:
Temível CCS - Mas por que é que, em vez de avaliarem os professores, não começam por avaliar as escolas?!
Ministra - Mas as escolas estão a ser avaliadas!
Temível CCS (engasgada) - Ah… Pois… Hum… mas são só 22!
Ministra - Não, não… Começámos a avaliação externa em 24 escolas-piloto, mas ela agora alargou-se a todo o país!

FIGURA TRISTE DOIS Que tipo de cartas - pensava eu com os meus botões - é que a temível CCS terá, afinal, na mesa? “Deve ser alguma coisa que a põe parva”, alvitrava, carinhosamente, a minha pessoa. Isto sucedeu depois de ter assistido a esta pergunta da temível CCS:
Temível CCS - Mas em que medida é que a extinção dos exames pode contribuir… ai! Exames! Exames?! Não é “exames” - que disparate! Peço desculpa, eu queria dizer “retenções”.

FIGURA TRISTE TRÊS A certa altura da entrevista, que se tornara, entretanto, e em definitivo, um espectáculo televisivo confrangedor, a ministra puxa de uns quadros impressos em A4 para ilustrar o que dizia. Reparem na classe, na coerência, no profissionalismo da temível CCS:
Ministra - Eu tenho aqui uns quadros para mostrar…
Temível CCS (interrompendo-a) - …não temos tempo para ver quadros!
[a ministra “ilustra” os dados como pode, desenvolvendo o tema]
Temível CCS (interrompendo de novo) - …então e os resultados do Relatório PISA [Project for International Student Assessment]?
Ministra - Mas os números que estava a mostrar-lhe são exactamente fruto desse relatório!… [após o que, perante uma temível (mas condescendente) CCS, voltou a ilustrar o seu discurso com os quadros que fora, antes, obrigada a pousar na mesa]

FIGURA TRISTE QUATRO A sabedoria da temível CCS não tem limites. Deliciem-se com este naco cultural, com este excelente exemplo de como foi bem preparada a entrevista a um titular de uma pasta do governo da República:
Temível CCS - Mas, afinal, quem é que avalia as escolas?
Ministra - Trata-se de uma avaliação externa…
Temível CCS - Ah, não sabia…

FIGURA TRISTE CINCO A temível CCS faz a quase totalidade da despedida olhando para a câmara errada. Resta dizer que a temível CCS foi referida como, entre aspas, a temível CCS, porque, em minha opinião, a maquilhagem que lhe fizeram conseguiu ser tão temível como um soneto escrito por António Aleixo e emendado por Margarida Rebelo Pinto.

Duzentos por cento

Friday, January 11th, 2008

psiquico.jpg

É difícil escolher, para destaque, um único aspecto deste panfleto que anda a circular por Espinho: se a nova língua portuguesa (”venha a apreender”, “1 e 2 Nível”), se o aspecto gráfico inovador (de que ressalta o recurso a esse supra-sumo do design, o “Wordart”), se, ainda, o “duzentos por cento” que é oferecido (”100% Teórico, 100% Prático”)…