Por (de)formação profissional, habituei-me a ser céptico quando defronte uma referência bibliográfica. Uma não chega, são precisas várias, e é preciso ver se há discordâncias entre os autores. Aprendi a procurar a filiação dos autores, para perceber a sua independência quanto ao tema em discussão (imaginem por exemplo ter um tipo pago por uma qualquer empresa de agroquímicos a publicar um artigo com dados sobre a inocuidade do seu mais novo pesticida). Fui treinado a ser isento e objectivo, a não trabalhar com pré-concepções, mas reconheço que isso é negar a minha natureza humana. Ainda assim, vou tentando.
Ora, perante este documento (siga este link), difundido pelo movimento Portugal pro Vida, não resisti a partilhar convosco estes dois parágrafos consecutivos de um estudo espanhol (perdoem-me o castelhano), e que vêm ao encontro do que vos falava em cima (ou não):
Hasta la fecha, no ha habido ni un solo estudio suficientemente amplio y bien realizado del que sacar conclusiones, por lo que no puede afirmarse en ningún caso, tal y como se ha hecho estos días, que los estudios científicos avalan la adopción por personas del mismo sexo.
De los pocos elementos a no descartar de esos estudios, así como de otros estudios rigurosos sobre temas conexos, podemos concluir que en los niños criados por parejas de homosexuales son más frecuentes que en la media de la población ciertas conductas o situaciones que en general resultan desfavorables para ellos:
E segue-se a este parágrafo um chorrilho de problemas.
Se este post não estivesse já tão comprido, eu até dedicava mais latim à hipocrisia, mas é hora de eu ir dormir.